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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Recensão: Moby-Dick por Herman Melville


“Call me Ishmael.” 
     - Herman Melville, Moby-Dick

Uma das mais famosas aberturas de todos os tempos. Esta pequena e simples frase é o encabeçamento da brilhante narrativa de Moby-Dick. É um título reconhecível por toda a gente. 

Escrito por Herman Melville no século XIX, Moby-Dick conta a história da busca pela baleia. Este livro foi baseado numa história real de capitão do navio 'Essex', que foi atacado e afundado por um cachalote em 1820. Li este livro como ajuda para o meu projeto de design de comunicação. Ele fala sobre a obsessão de Ahab, o capitão de 'Pequod', em matar Moby Dick, uma baleia branca assassina.




O meu único ponto negativo com o livro é ser muito difuso. Quando começamos a ler, somos apresentados com uma história sobre a vida na caça à baleia. Mas o livro, na sua maioria, é quase um manual do baleeiro: opiniões sobre baleias, diferentes tipos de baleias, a cultura marítima e todos os termos marítimos da caça à baleia. Algumas vezes apetecia-me saltar certos capítulos, mas não o fiz. Também é o facto de chegar a ser um pouco confuso na narração; Lembro-me de ter dificuldade em perceber quem era o narrador no capítulo que lia. 

Mas de resto, o livro é algo de espetacular que envolve o leitor num contexto de mistério e desconhecido. Normalmente quando lemos um livro de aventura, a história acaba com a busca completada, mas no Moby-Dick, a baleia vence o homem. Isto, penso eu, é porque o escritor, ao longo do livro, troca de estilo narrativo; a história passa de uma aventura para uma tragédia. O final heróico é substituído pelo final que uma tragédia necessita. Melville consegue afastar-se do romance comum sem distorcer-se do seu sentido.

Com diversas características do romantismo: a dor interior, inferioridade face ao mal, o fim da inocência, a busca de algo maior e a imperfeição humana. Ainda hoje, a sua maneira de escrever requer uma sensibilidade por parte do leitor. Ele consegue com que este tenha uma obsessão tal como a de Ahab. 

“Human madness is oftentimes a cunning and most feline thing. When you think it fled, it may have but become transfigured into some still subtler form.” 
      - Herman Melville, Moby-Dick

Uma obra eminente na literatura do século XIX.
Moby-Dick não é apenas um livro de aventura, mas sim uma viagem realista que descreve detalhadamente a dura vida do homem do mar, a batalha entre o bem e o mal, a revolta contra a força superior como inimigo inalcançáveis: uma missão impossível.

“It is not down on any map; true places never are.” 
      - Herman Melville, Moby-Dick

Recomendo a leitura. É um livro que nos põe agarrados até ao fim. Posso dizer que, para quem for paciente, lê-lo é uma experiência magnífica.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Karl Marx e Feminismo


Como ideologia e movimento social, o feminismo refere-se a um conjunto de ideias, ações e pensamentos direcionadas para a promoção da igualdade de sexo para as mulheres. Pretende-se alcançar a igualdade e os direitos sociais das mulheres em todas as áreas da sociedade. Durante 1910, o feminismo espalhou-se pela maioria do mundo, com objetivos diferentes mas que se complementavam ao grupo, desde direitos matrimonias e parentais a poder político.

Feminismo Marxista é uma divisão do feminismo que se foca na opressão das mulheres na economia capitalista. O termo deriva das teorias filosóficas e económicas de Karl Marx, que afirma o capitalismo, que aumenta a desigualdade económica, como a raiz da opressão das mulheres. 

No século XIX, Marx, em Capital, fala sobre as fontes capitalistas de opressão das mulheres, focando-se nas que pertencem à classe trabalhadora.

"The labour of women and children was, therefore, the first thing sought for by capitalists who used machinery. […] In order that the family may live, four people must now, not only labour, but expend surplus labour for the capitalist. Thus we see, that machinery, while augmenting the human material that forms the principal object of capital’s exploiting power, at the same time raises the degree of exploitation.“  (K. Marx, Capital)

Ao discutir o valor de trabalho, Marx retrata a diferença de salário (de homens e mulheres, crianças, etc.). Reclamada injustiça do salário das mulheres serem inferiores aos homens. Isto é referido como exemplo de como o sistema capitalista se beneficia do trabalho opressivo. Porém, a questão do trabalho doméstico é um facto ausente da sua análise.

“(…) he supplies himself with necessaries in order to maintain his labour-power (…)” (K. Marx, Capital)

O trabalho doméstico não pago das mulheres é inegavelmente essencial para reprodução da força de trabalho. Embora ele não seja direto, ele contribui para um um aumento de trabalhadores necessários para o futuro. 

Apesar de não as libertarem da injustiça da classe trabalhadora, Marx e Engels consideraram a entrada das mulheres no trabalho remunerado como o primeiro passo para desprender as mulheres da opressão capitalista.Os avanços são inegáveis mas penso que ainda há um grande abismo que separa mulheres e homens em aspectos sociais e que ela ainda é vítima de preconceito dentro da sociedade contemporânea.
Vivemos numa época contraditória: Somos um exemplo de quanto a sociedade mudou em relação às mulheres mas também quanto parece ter ficado igual.


Referências:
Marx, Karl; 1887; Capital - A Critique of Political Economy Volume, I Book One: The Process of Production of Capital 


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Hipsters - Subcultura e Mainstream

Subculturas são grupos de pessoas que se diferenciam da cultura dominante. 
Esta designa-se por Mainstream. 
Numa subcultura, o sujeito integra-se nela fisicamente, emocionalmente e ideologicamente, criando a sua identidadeNo entanto, há um grupo que se destaca dos outros, pelo facto de não se identificarem como uma subcultura. 

Os hipsters tiveram origem nos anos 40 e procuram distanciar-se do mainstream. Como referi previamente, para estes indivíduos, não há identidade cultural fiel - os sujeitos não se consideram como hipsters e muito menos como um grupo subcultural. São uma cultura híbrida, apropriando-se de diferentes aspetos de diferentes culturas. Apropriam-se de outros grupos sociais, encorajando uma interação intercultural em vez de grupos fechados e fixos.

Mas esta expansão significa a adoção do estilo por mais pessoas, fazendo a subcultura crescer ao longo dos anos. Nos dias de hoje, será que a subcultura hipster se tornou mainstream?

A ideologia que os hipsters representam não é algo recente. É um manifesto que vai contra o que alicerça a cultura dominante, com o objectivo de ser original. Sempre existiram este tipo de pessoas, mas a partir do momento que se juntaram num certo grupo, com regras e estética impostas, tornaram-se identificáveis e à medida que ganhou popularidade, passou de movimento contra-cultural para uma cultura bastante popular.

Agora, a palavra ‘hipster’ é apenas um termo que usamos para marcar as pessoas de um certo estilo e comportamento. Apesar de algumas pessoas continuarem com os valores e ideias caracterizados do movimento, muitos "hipsters" nos dias de hoje não vivem de uma maneira anti-mainstream cultural mas apenas adotaram a estética. As ações de um hipster, um individual conhecido pela sua visão diferente do mundo e de ser, de certa forma alienado da sociedade mainstream, foi copiado por indivíduos fora do círculo subcultural.

Ele tem vindo a tornar-se, na realidade, um paradoxo.
O ‘ethos’ hipster dispersou-se tanto por todo o mundo e culturas que o hipster deixa de o ser e a distinção da subcultura deixa de ser única.