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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Do outro lado do espelho - Recensão

"O outro lado do espelho" é uma exposição presente no Museu Calouste Gulbenkian em Lisboa, que têm como tema as características do espelho e, a forma como este se relaciona com a nossa vida e a  afeta de diversas formas, assim como a maneira através da qual os artistas o utilizam nas obras da arte, para reproduzir certos efeitos e perceções, permitindo um conjunto ilimitado de possibilidades visuais. Está também dividida em núcleos com temas distintos da utilização do espelho e da influência do mesmo começando pela infância, e passando pelo papel deste na vida do homem e da mulher, etc.
Visitei a exposição num dia chuvoso e frio. Nas ruas reinava um sentimento de desconforto e sujidade, no entanto quando entrei no museu, senti imediatamente a sensação do aquecimento do edifício, daquele espaço tão mais acolhedor do que o exterior nublado. Deixei o meu casaco no bengaleiro e prossegui para a entrada da exposição. Em frente a esta mesma entrada estava uma escultura de uma mulher a segurar um pequeno espelho na mão, observando a sua figura refletida no mesmo, funcionando talvez como uma forma de introduzir a exposição. Entrando na exposição propriamente dita, existem diversos espelhos antigos espalhados pela divisão , assim como simples superfícies refletoras numa parede, que permitem que enquanto se caminha pela exposição, se possa observar as peças dos artistas, e também a nós próprios.
Para além disso, existem várias pinturas, assim como esculturas e instalações nas quais o espelho  é um elemento chave ou importante para as mesmas. Lembro-me com mais clareza duma pintura da qual gostei particularmente, em que Narciso observava a sua imagem num rio, funcionando neste caso a água como um espelho natural. 
 Em suma, a exposição demonstra as diversas utilizações do espelho no passado, na arte e na vida, assim como a sua função na mesma  e todas as possibilidades que é capaz de abrir nela.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A Moda Como Componente Ideológica

A moda é algo que está bastante enraizado no nosso dia-a-dia, e que nos condiciona até sem darmos por isso. Está presente desde os meios de comunicação social, até ás pessoas que nos rodeiam, nos locais aos quais nos deslocamos. É uma componente ideológica muito forte, que influencia os nossos comportamentos, compras, escolhas de "styling" de manhã antes de ir para o local de trabalho, escola etc. e até a imagem que projetamos ás outras pessoas, acerca da nossa identidade pessoal. Podemos escolher ter um estilo individual e destacarmo-nos das outras pessoas, não caíndo nesta obrigação ideológica  a que a moda nos impõe. É possível um indivíduo ser fiel a si mesmo e que sinta que não tem de seguir todas as tendências que surjam, porque não se enquadram na sua identidade. Pode tornar-se mais complicado fazer compras por exemplo, visto que as grandes cadeias de lojas estão em geral muito formatadas com as tendências dos desfiles de moda por todo o mundo, criando alternativas mais baratas e acessíveis das mesmas, ou por vezes adicionando pequenos detalhes ás suas próprias criações que contenham essas tendências. No fundo serão estes desfiles de moda dos grandes designers internacionais que irão ditar as tendências da estação, e o tipo de roupas e acessórios que se irá ver a maioria da população a usar. Contudo, ter um estilo pessoal fiel a quem verdadeiramente somos , pode também ter um lado negativo. Em certos meios mais fechados, as pessoas não estão habituadas a ver indíviduos que quebrem as regras de alguma forma, ou que se destaquem do resto das pessoas, não conseguindo assim evitar sentirem- se incomodadas. Este quebrar da sua rotina habitual, é algo que causa desconforto ás pessoas, não lhes agrada uma rutura do ideal ideológico que está predefinido nas suas mentes. Embora a moda já tenha evoluído muito, e incentive cada vez mais os indivíduos a terem  uma perspetiva não tão rigorosa em relação á mesma, já não haja regras tão definidas como dantes, e haja cada vez mais também um incentivo de estilo pessoal , de dobrar as regras e para que o indíviduo se divirta a compor conjuntos, e a experimentar diferentes formas de usar a mesma peça de roupa , persiste em uma parte da população mundial este sentimento de que se tem de seguir as regras á risca, de que é necessário ser igual á maioria , senão sentir-se-ão expostos e fragilizados devido ao conjunto de condicionantes ideológicas pré-existentes. Em suma, a moda é das entidades ideológicas que mais nos condiciona, e á qual devemos tentar não seguir cegamente, pensar no que faz mais sentido para nós enquanto indivíduos, e não objetos formatados para seguir um determinado caminho.
 

domingo, 17 de dezembro de 2017

O Conhecimento Do Mundo


Muitas vezes pensamos nos mistérios que a Terra esconde, no significado oculto dos objetos, na quantidade imensa de enigmas a que este mundo nos propõe, e que procuramos desvendar.
O ser humano tem uma vontade infindável de conhecer, de explorar o que lhe é estranho. Tentamos ao máximo aumentar a nossa capacidade de armazenar o que aprendemos,e de assimilar o que nos ensinam.
Inevitávelmente o nível de conhecimento que alguém pode suportar e atingir é limitado. Não conseguimos nem guardar dentro de nós todo o conhecimento do mundo, nem sequer obtê-lo.
Por um lado, vivemos num local repleto de segredos inesgotáveis, existindo até alguns que vão para além da própria compreensão humana. Existem locais e realidades, nos quais não conseguimos penetrar. Que nos ultrapassam enquanto seres humanos finitos e efémeros. Há todo um conjunto de conhecimentos no mundo que provavelmente nunca serão descobertos. Diz-se que o ser humano comum só é capaz de utilizar á volta de 10% do seu cérebro, há todo um espaço para além dessa percentagem, que quase ninguém é capaz de atingir e utilizar. Somos sim limitados de certo modo, no sentido em que não nos é possível utilizar todas as capacidades intrínsecas com que nascemos, para nos realizarmos em plenitude com nós próprios, e até com o próprio universo.
Todavia , apesar das nossas limitações somos ainda capazes de muito. A ciência evolui cada vez mais e permite-nos arranjar soluções para os novos problemas de que vão surgindo; a arte encontra cada vez mais formas de se transcender, e criar algo de novo, assim como surgem ainda novas formas da mesma ao longo do tempo. O ser humano tem para além de tudo o resto, uma capacidade de se superar a si mesmo, e sobretudo de criar e descobrir algo de novo.
Em suma, o mundo é um local que pode ser considerado quase como que um código encriptado, á espera de ser desvendado pelo ser humano.Quando pensarmos que já descobrimos tudo o que existe no mundo, é aí que surgirá a descoberta chocante e abaladora, que mudará toda a perspetiva que temos acerca da vida.