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domingo, 7 de janeiro de 2018

Animal Farm

Em 2016 li o Nineteen Eighty-Four de George Orwell como parte da disciplina de Inglês do 12ºAno. Foi um livro sobre o qual muito estudei, debrucei-me sobre ele nos mais diferentes aspectos e cada capítulo foi estudado ao mais ínfimo pormenor. É um livro que faz qualquer pessoa pensar como o nosso mundo poderia ter dado para o “torto”, como as coisas poderiam ser completamente diferente daquilo que conhecemos. Faz-nos ver que é possível existir um regime totalitário em que as coisas correm perfeitamente bem, onde está tudo muito bem controlado. Aparentemente descrito como um romance distópico, transforma-se num “thriller” politico. 1984 é um aviso para a raça humana. Destaca a importância de resistir ao controlo e à opressão em massa.

Dois anos depois decidi ler outro clássico de Orwell, Animal Farm. Livro lido rapidamente em 48 horas devido à maneira como conquista qualquer leitor. São cerca de 19 páginas de texto a introduzir 120 de historia propriamente dita. Não esperava tanto de um livro tão pequeno comparado com as 325 páginas de 1984. É um daqueles livros que todas as pessoas devem ler pelo menos uma vez na vida, porque nos faz pensar, e não é pouco. Parece uma história para crianças, até porque o titulo original seria “ Animal Farm: A Fairy Tale” (Quinta dos Animais: Um conto de fadas). Porém mostra-nos com palavras e um enredo simples aquilo a que muitos se recusam a ver.

Cansados de serem mal tratados e não receberem o retorno do seu trabalho, os animais revoltam-se contra o proprietário da “Manor Farm”. Expulsam os seres humanos da propriedade e governam-se a si próprios. Livres de todos os males, só existem um único mandamento supremo “All animals are equal” (Todos os animais são iguais). Porém com o desenrolar da história vemos que alguns animais são mais do que os outros…

“All animals are equal but some animals are more equal than others”


Os animais criam uma cooperativa de maneira a que todo o fruto do seu trabalho seja dividido por todos em partes igual. Uma sociedade em que que cada um contribui no que pode, tanto os mais forte como os mais fracos. É idealizado como uma comunidade em que os mais fortes protegem os mais fracos. Estes são os 7 regras inicias pelo qual a auto-proclamada “Animal Farm” se rege: 

  • Whatever goes upon two legs is an enemy. (Tudo o que ande sobre duas pernas é inimigo)
  • Whatever goes upon four legs, or has wings, is a friend. (Tudo o que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo)
  • No animal shall wear clothes. (Nenhum animal deve usar roupas)
  • No animal shall sleep in a bed. (Nenhum animal deve dormir numa cama)
  • No animal shall drink alcohol. (Nenhum animal deve beber álcool)
  • No animal shall kill any other animal. (Nenhum animal deve matar outro animal)
  • All animals are equal. (Todos os animais são iguais)

Contudo, alguns animais começam a ter uma remuneração maior do que a dos outros, e os animais começam a questionar a sua suposta utopia. Passo a passo, as regras começam a mudar misteriosamente, os porcos começam a ganhar poder. O que faz alguns animais, os mais espertos dentro dos mais burros, a questionarem-se se a sua sociedade ainda é aquilo pelo qual lutaram e se a sua liberdade é tão liberal como eles esperavam. 

“Several of them would have protested if they could have found the right arguments. They had come to a time when no one dared speak his mind, when fierce, growling dogs roamed everywhere, and when you had to watch your comrades torn to pieces after confessing to shocking crimes”


Uma grande surpresa neste livro, foi o facto que a decadência moral ir acontecendo aos poucos e não tão repentinamente como vemos no 1984. Imaginamos que as grandes mudanças ocorrem de uma só vez , porém neste livro cada camada de moralidade é retirada pouco a pouco, de maneira a que é facilmente ignorada ou negada. 

Se uns sabem menos que os outros, deixam-se controlar facilmente por aqueles que sabem, que têm mais poder. Daí eles saberem o que estava inicialmente escrito nos 7 mandamentos, mas deixarem-se levar por aquele que os alteram e dizem que é assim desde o inicio. Mostra como a luta para a liberdade facilmente se transforma num jogo para o elo mais forte.

Sendo um livro, é fácil de manter uma distância da realidade do que se passa em “Animal Farm”, mas qualquer pessoa que o leia com atenção, entende que é uma alegoria, e que fala sobre a humanidade durante todo o o livro. A partir de uma caracterização mais detalhada entende-se que Orwell se baseia no no percurso de Staline no regime soviético. Porém, a historia também pode ser facilmente vista como caracterizando a civilização romana, o período Napoleónico, a Alemanha Nazi ou a ditadura atual na Coreia do Norte. Animal Farm pode ser adaptada a vários períodos da historia da humanidade, isto porque a historia está-se constantemente a repetir. Recomendo este livro a uma leitura por parte de todos para estarmos conscientes que facilmente poderemos cair nestes erros novamente, que qualquer sociedade é susceptível de ser manipulada e corrompida.


“Are the Seven Commandments the same as they used to be, Benjamin?' For once Benjamin consented to break his rule, and he read out to her what was written on the wall. There was nothing there now except a single Commandment. It ran:All animals are equal.But some animals are more equal than others"




terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Diferentes anúncios, o mesmo carro.

A segmentação é o termo genérico para designar a divisão de algo em partes. A segmentação está presente em todos os aspectos do quotidiano, mas principalmente no mercado. A segmentação do mercado é uma base para diversas estratégias de Marketing. Consiste na divisão do público alvo em diferentes grupos heterogéneos com preferências e adesão semelhantes aos produtos. O mercado total é constituído por um conjunto de grupos com características distintas e por isso necessidades diferentes, saí ter de se dividi-lo em indivíduos semelhantes. Cada um destes grupos responde melhor a uma determinada estratégia de marketing especialmente concebida para ser mais aceitável por certos ideias, estilos de vida, etc. O objectivo destas campanhas é de direcionar o produto para um certo segmento para melhor o publicitar e rentabilizar.

As grandes empresas, globais, utilizam vária vezes, em várias campanhas, segmentação do mercado. Uma exemplo desta estratégia aplicada a grande escala é a campanha da Toyota nos Estados Unidos para promover o seu novo carro. A equipa de Marketing da Toyota tomou a iniciativa de criar diferentes anúncios publicitários para diferentes segmentos. 

The goal of the campaign is to introduce people to an inspiring, more emotional, more exciting driving experience that will make every driver feel special. 

Para que isto aconteça era necessário criar diferentes estratégias de mercado que apelassem a cada indivíduo da melhor forma. Cada indivíduo reage de maneiras diferentes a estímulos, desta maneira para se apelar a uma determinada emoção é necessário diferenciar a estratégia para apelar a cada.

Existem diversos critérios para separar o mercado em segmentos: separação demográfica, social, económica, estilo de vida, etc. Seguidamente é definida a política de marketing utilizada em cada segmento.

A população norte-americana foi segmentada em etnias. Os públicos alvo são: Afro-Americanos, Latino Americanos e de descendência Asiática. Cada um dos anúncios é transmitido no intervalo de programas em que maior parte dos telespectadores pertence a essa etnia. Por exemplo, no intervalo da série Scandal é apresentado o anúncio desenvolvido para o segmento Afro-Americano. Quando o anúncio pretende persuadir uma minoria é apresentado em programas generalistas.

Dentro do mercado norte-americano existem diversos tipos de audiências, assim é necessário os anúncios apelarem de maneiras diferente ao consumidor. Para isto a Toyota recorreu a diferentes agências publicitárias, cada uma especializada num certo publico alvo.

A agência Burrel, criou o anuncio detonado ao publico afro-americano. O anuncio retrata um homem afro-americano que encomenda uma pizza ao restaurante. Porém em vez de usufruir da entrega gratuita prefere ir buscá-la. Prefere mostrar e usufruir do seu novo carro. A agência entende que os afro-americanos consideram os seus veículos uma extensão de si próprios, por isso o estilo é bastante importante. A música foi escolhida para retratar confiança e atletismo, retratando assim positivamente um afro-americano.

A agência que se dedica a criar anúncios para descendência asiática criou um anúncio que pretende mostrar algo que não é visto usualmente. Tradicionalmente, os pais asiáticos demonstram menos emoção para com os filhos em relação a outras populações. Assim, o anúncio retrata um pai que quer partilhar com a filha a experiência de conduzir um Camry. O basebol foi também escolhido para integrar o anúncio pois é um desporto popular entre os asiáticos.

A agência Connil criou dois anúncios para a população hispânica. No primeiro um homem, a conduzir, rejeita a chamada da mãe para se focar no prazer de conduzir. Ele hesita perante esta decisão, sorri e está subentendido que eventualmente retornará a chamada.
No outro anúncio, uma mulher vestida como se fosse para uma festa, aplica batom vermelho olhando no espelho do seu carro. Isto tudo para ir ao supermercado. A ideia é a de se levar estilo para onde quer que se vá. A mulher latina está sempre atraente mesmo realizando as tarefas mais quotidianas. 


Estes anúncios retratam o estereótipo de cada uma das etnias para assim alcançar o maior número de pessoas possível e elas se identificarem com o produto.

https://www.nytimes.com/interactive/2017/10/12/business/media/toyota-camry-ads-different-ethnicities.html consultado a 23/12/17.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Falseabilidade


"The principle of induction determines the truth of scientific theories. To eliminate it from science would mean nothing less than to deprive science of the power to decide the truth or falsity of its theories. Without it, clearly, science would no longer have the right to distinguish its theories from the fanciful and arbitrary creations of the poet's mind."
— The Logic of Scientific Discovery (1934), Karl Popper

Alguma vezes por ano somos confrontados com novas noticias sobre avanços científicos, soluções para aquilo que se achava insolucionável, uma nova cura para um tipo de cancro , afinal ter Sida não significa morrer, coisas deste género. Todos nós precisamos de provas para acreditar neste tipo de solução e realmente é o que acontece, a noticia sai e seguidamente sai a sua explicação. Mas nem sempre é assim.

Karl Popper procurou responder ao problema da indução identificado por David Hume no século XVIII.  A perspectiva indutivista supõe de que a partir de um enunciado especifico chegaríamos a um enunciado universal, tal como: Este cão é preto por tanto todos os cães são pretos. Este método não é portanto válido uma vez que possa existir um cão não preto que por acaso ainda não tenha sido observado. 

Quando alguém testa uma experiência no limite do seu enunciado e os resultados são negativos, ele invalida algo que era dado como adquirido. Os enunciados têm que incluir todas as condições que o possam eventualmente tornar falsos. Estes enunciados, como podem ser falseados são dados como científicos. Deste modo, por exemplo, o Criacionismo não passa no teste da falseabilidade, logo, não pode ser considerado ciência. 

Quando se prova que um enunciado é falso têm-se que o reformular para incluir a nova experiência. Assim, os enunciados ou estão em constante mudanças, ou se encontram inalterados durante vários anos. Estes últimos são os mais famosos pelo facto de se manterem irrefutáveis.
Um exemplo é a afirmação que a Terra é plana. Existem inúmeros factos que o comprovam e , até agora, nenhuns que o refutem, desde que Colombo o provou.

Estas teorias cientificas, irrefutáveis até prova em contrário, são aceites pela maioria da população. É uma ideia hegemónica. A hegemonia é uma crença partilhada por todos, que não se questiona. É uma ideologia hegemónica. Acontece quando todas as classes sociais adotam como suas as ideologias de outra classe social, nomeadamente mais privilegiada. Neste caso, a população dita “comum” aceita como sua a crença que a Terra é redonda uma vez que foi comprovado pelos cientistas, uma classe com recursos e conhecimentos para a refutar.
Muitas são as ideias hegemónicas que nós damos por adquiridas e sobre as quais nunca questionamos. Mas, cabe-nos a nós ter uma posição em que procuramos obter uma justificação para as nossas crenças.

"Whenever a theory appears to you as the only possible one, take this as a sign that you have neither understood the theory nor the problem which it was intended to solve".
— Objective Knowledge: An Evolutionary Approach (1972), Karl Popper