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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

The Holy Mountain

The Holy Mountain é um filme surrealista mexicano, escrito, produzido e realizado por Alejandro Jodorowsky em 1973. O filme retrata temas como a religião e outros misticismos através da sua imagética surreal repleta de cores sendo, por sua vez, atribuído um significado individual a cada cena. O enredo evolve à volta do ladrão, uma personagem que aparenta ser uma representação de Jesus Cristo nos tempos modernos, que começa por acordar no deserto e parte numa jornada espiritual repleta de simbologias e críticas sociais escondidas atrás duma imagem que fala por si.

Após uma pequena introdução ao contexto surreal que é tratado no filme, o enredo começa a desenvolver-se quando nos é dado a conhecer a personagem do alquimista, representado por Alejandro Jodorowsky, sendo esta uma das cenas mais visualmente interessantes do filme, pela sua fantástica utilização de cores e a sua dimensão não só física, mas também simbólica. O alquimista pretende representar as artes da magia negra e estabelecer uma relação com os (ainda) 9 planetas do sistema solar. Após a introdução do alquimista, são nos apresentadas as 7 pessoas que controlam o mundo, sendo todas estas corruptas e gananciosas, e estando, por sua vez, todas envolvidas em politica, guerra ou produção em massa. Cada uma destas novas personagens está disposta a abdicar da sua única fraqueza, o dinheiro. Esta cena do filme, mostra-nos como é que a magia negra consegue nos iludir e fazer acreditar na ilusão que é atribuir valor a um pedaço de papel.

The Holy Mountain não se trata apenas de um filme surrealista com imagens fortes tão inesperadas e difíceis de perceber, mas sim um filme que desafia a maneira como olhamos o mundo que nos rodeia, quase como uma viagem espiritual repleta de toda uma estética impressionante. Muitos aspetos da vida são uma ilusão, tal como no cinema, o que nos permite criar toda uma nova identidade para as temáticas da nossa realidade deixando, por conseguinte, todas as interpretações possíveis em aberto.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Fronteira do Orientalismo

O termo orientalismo tem vindo a crescer como uma maneira de descrever ou até justificar imitações de culturas provindas do Oriente (médio oriente e Ásia). A utilização de tal termo pode ser encontrada desde a literatura, artes plásticas e até mesmo na música. Após a publicação do livro “Orientalismo”, de Edward Said em 1978 a palavra ganhou um novo significado, sendo este a generalização condescendente dos povos orientais. Na sua análise, Said refere-se à cultura oriental como subdesenvolvida, do ponto de vista do Ocidente, sendo assim fabricadas ideias de que este povo pode ser estudado e por sua vez reproduzido. Implícita nesta fabricação, está a ideia de desenvolvimento, flexibilidade e superioridade em comparação com o Oriente.

O interesse pelo orientalismo começou a manifestar-se mais no século XIX. À medida que revolução industrial e facilidade para nos movimentarmos foi aumentando, tornava-se cada vez mais frequente e evidente as influências orientais, como nas obras de Monet e Degas que “reciclavam” o estilo japonês no ramo da pintura. Na cultura pop ocidental, muitas foram as influências do orientalismo, desde literatura até à industria cinematográfica de Hollywood como por exemplo nos filmes de Indiana Jones em que o herói é representado como um homem ocidental e o vilão como oriental.

Muito do que Said afirma sobre a marca que o orientalismo tem na cultura ocidental é descrito como modas, estas que provêm de artistas e escritores orientais que acabam por influenciar ocidentais. No século XX esta diferenciação já não é tão presente devido à facilidade no acesso que temos de obras, quer sejam elas ocidentais ou orientais. Estas influencias acabam por já não ser tão relevantes, acabam por se perder na vastidão de informação que cada indivíduo está sujeito diariamente, abafando cada vez mais ao longo do tempo, a distinção entre culturas.


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Paradoxo Ideológico

O conceito de ideologia pode ser resumido, segundo o Dicionário de Política de Bobbio, como um conjunto de ideias e de valores que dizem respeito à ordem pública, tendo também como função orientar os comportamentos políticos coletivos. Para Marx, a ideologia era o meio pelo qual as ideias da classe dominante passavam a ser aceites na sociedade como naturais. A ideologia mantinha a classe oprimida, ou o proletariado, num estado denominado de falsa consciência. A noção que as pessoas têm de si mesmas, as relações que têm com o resto da sociedade, é produzida pela sociedade em que nascemos, não pela nossa natureza.

Com o desenvolver do séc. XX, foi-se tornando cada vez mais claro que o capitalismo não iria ser derrubado. Por muito que a maioria continuasse desfavorecida em prol do bem da minoria. Este sistema socioeconómico parecia triunfar com base nesta falsa consciência. De modo a encontrar uma explicação para tal, Althusser desenvolveu uma teoria da ideologia mais sofisticada, em que esta se liberta da relação fechada de causa-efeito como base económica e é aplicada como um conjunto de práticas ou regras, nas quais todas as classes participam. Isto mostra que este conceito tem de vir de dentro para fora e não de fora para dentro. São fabricadas ideias de como é que a sociedade é regulada, mostrando esta como a única opção viável.

Marx acreditava que as classes oprimidas eventualmente teriam de se aperceber desta falsa consciência que os guiava diariamente, e por sua vez derrubarem a ordem económica que a produziu. Contudo, a teoria de Althusser da ideologia como prática, não mostra sinais de fraqueza, pois o seu poder reside no envolvimento dos oprimidos nas suas práticas, levando a que estes construam as suas próprias identidades dentro deste espectro.

Concluindo, não existe uma maneira de escapar à ideologia de Althusser pois, embora a nossa experiência física e social a possa refutar, a única maneira que dispomos para dar sentido a essa experiência tem sempre uma base ideológica. A única ideia que podemos ter de nós próprios e dos nossos relacionamentos sociais é uma ideia que por sua vez é uma prática da ideologia que nos domina.

Referencias:

John Fiske (1993) Introdução ao Estudo da Comunicação