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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Dead Poets Society Recensão

Dead Poets Society Recensão


Dead Poets Society é um filme de 1989 escrito por Tom Shulman e realizado por Peter Weir, o filme baseia-se em torno de estudantes de uma escola privada, "Welton Academy", e um professor de inglês, Mr. Keating, e o seu modo de ensino pouco convencional nesta mesma escola. Esta relação entre este professor e um grupo de estudantes, leva à criação de um grupo secreto de estudantes que têm como objetivo perseguir as suas ambições com paixão e da forma como Keating os ensina, tendo sido utilizada a expressão "carpe diem" nas suas aulas.

Este grupo secreto optou por chamar-se dead poets society, nome que origina também das lições de Keating, que utiliza extensivamente poesia nas suas lições mostrando a paixão que tais poemas transmitem através da sua escrita. As suas lições tinham uma mentalidade completamente oposta aquela da academia, procurando mostrar os valores da vida, como paixão, energia, felicidade e liberdade através de uma educação que não era aceite nesta escola, que simplesmente se agarrava ao passado e à sua noção de honra que criava um ambiente muito rigido e sem a liberdade que Keating procura dar aos seus alunos. O filme trata muito este tópico de resistência contra as regras da academia por este grupo de estudantes, mostrando o seu esforço para atingir uma vida onde conseguem encontrar liberdade, paixão e prazer em viver. Para finalisar esta busca de felicidade, o filme acaba com tragédia, após um dos estudantes ter entrado numa peça de teatro e mostrado a sua paixão pela arte de actuar no palco, é levado pelo seu pai contra a sua vontade e colocado de castigo em casa. Durante a noite depois de se aperceber que o pai não o iria deixar continuar com esta sua paixão, acaba por se suicidar com a arma do pai. Esta tragédia é seguida por uma série de interrogatórios aos estudantes pertencentes ao dead poets society, levando ao despedimento do professor Keating. A última cena do filme mostra uma imagem bastante forte de Keating a arrumar os seus pertencentes na sala de aulas, onde os seus ex-alunos estão a ser ensinados pelo diretor da academia com um plano de ensino que vai contra tudo o que Keating acredita. Ao sair da sala muitos dos alunos ignoram o diretor e levantando-se em cima da mesa fazem uma saudação ao professor com as seguintes palavras, "Oh captain, My captain", uma expressão utilizada pelo professor durante o filme.

Este filme mostra-me como existe sempre uma luta para conseguir chegar à forma de viver que uma pessoa procura durante o seu período de ensino e como esta busca tem uma enorme inflûencia na evolução da personalidade e integridade dessa pessoa. Esta procura nem sempre é atingível e em certos casos pode acabar com tragédia, da mesma forma que tão fácilmente pode acabar num final feliz. O que este filme me ensina é que a linha que separa estes dois mundos opostos é inexistente e tudo acaba sempre numa escolha, de desistir ou continuar a resistir e lutar contra as ideias que a sociedade nos impõe.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

A Comunicação

A Comunicação


Ferdinand Saussure elaborou o conceito de signo na área da línguistica, sendo este conceito baseado no significante e significado. Esta teoria funciona em torno de comunicação, sendo que, para que isso aconteça tem de ser entendida por ambos os lados que estão a comunicar. Entra aí o sgnificante e o significado, sendo estes uma palavra aleatória (significante), à qual se associa uma ideia (significado) e para existir comunicação esta simbiose entre ideia e palavra tem de ser conhecida por todas as pessoas que querem entrar nesta comunicação.

Assim comunicação é o ínicio da criação de tribos ou grupos de pessoas, pois sendo ela própria algo que necessita de interligações, assim também as vai criar em quem a exerce. E é a partir daqui que cultura parte, com esta forma de passar uma ideia de um humano para o outro, que para Saussure se baseia em algo totalmente arbitrariedade, como escreve num dos seus príncipios fundamentais da língua, o princípio da arbitrariedade. Este príncipio de Sausure apresenta que não existe qualquer sentido na ligação entre o significante com o significado, demonstrando que por apenas trocar a palavra significante por outra aleatóriamente, não muda o resultado final da comunicação.

Querendo explorar mais a comunicação, podemos acrescentar outras variáveis neste processo de transmitir ideias, sendo estas as experiências culturais de quem comunica, tanto as do orador como das do destinatário. Para este efeito existe a obra "The Death of the Author" de Roland Barthes, que se centra em atacar a ideia que um autor de um livro é o centro do seu trabalho. Depois da morte do autor, Barthes diz que o trabalho deixado para trás pelo mesmo passa a ser algo que é moldado pelo que já não existe. Assim Barthes declara que após o livro ser publicado a sua ligação com o autor deve ser totalmente extinguida, deixando o leitor focar-se na escrita e não na mão por de trás da caneta. Esta ideia passa por ser extrema, pois se o leitor ler o livro só pelo significante e significado e as suas próprias experiências, embora permita o leitor criar as suas próprias ideias em relação ao que o autor escreveu, transforma-se nisso mesmo, novas ideias. Para manter uma comunicação é sempre preciso todas as variáveis que moldam essa comunicação, pois com o desaparecimento de apenas uma delas todo o significado que se pretende transmitir transforma-se, perdido na tradução de uma ideia para outra.


Saussure, Ferdinand. Curso de Línguistica Geral
Barthes, Roland. The Death of the Author

sábado, 23 de dezembro de 2017

A Oposição da Natureza e do Homem

A Oposição da Natureza e do Homem


A alienação de que Karl Marx fala baseia-se no nascimento do mundo capitalista no qual vivemos hoje em dia, mostrando uma fixação do homem viver para trabalhar, separado da natureza, sendo o objecto do seu trabalho, o propósito da sua existência.
Este forma de viver centra-se à volta do capitalismo e do consumismo que o rodeia, que ao percorrer dos tempos separa cada vez mais o homem do universo e a sua natureza. Sabendo que a natureza engloba tudo o que existe, incluíndo o homem em si, ao alienarmos-nos da natureza estamos ao mesmo tempo a alienarmos-nos de nós próprios. Marx leva este assunto em relação à liberdade do homem e à sua crescente dependência do mundo do objecto, que acaba por transformar a vida humana. Retirando-lhe a sua relação com a natureza e assim privando-lhe da sua liberdade, o trabalho alienado transforma a consciência que o homem tem de si mesmo e foca-a no trabalho do objecto como forma de viver.

Utilizando esta ideia de Marx, tenciono explorar esta ideia para algo que engloba o mundo mais actual, baseando-me nas ideias de Alan Watts, um filósofo do século XX, sobre a luta do homem com a natureza que se consegue ligar à ideia de alienação de Marx.
Embora com inícios e propósitos diferentes, Watts e Marx ambos falam da separação do homem e da natureza. Watts fala dessa alienação como uma forma de defesa, que o homem para se sentir importante e que o que faz tem sentido no meio de todo o universo, tem de se opôr à natureza como se fossemos algo completamente diferente ao que nos rodeia. É esta oposição que se vê, como watts diz, na conquista do Everest, na conquista do espaço, como se a natureza fosse algo para lutar contra, e não nos apercebemos que nós fazemos parte dessa natureza e assim lutamos contra nós mesmos, como história pode comprovar.

Com ambas estas teorias, conseguimos compreender que o mundo do objecto, do capitalismo, vai chegar a um ponto onde o que interessa mais que tudo o resto, mais que a natureza e mais que nós mesmos é o trabalho e o objecto que nasce desse trabalho. E esse objecto vai separar cada vez mais o homem de si mesmo até serem tão alienados que se tornam opostos, e a natureza do homem é lutar contra o que lhe é oposto. Todo este novo mundo que começou com uma mudança da consciência do homem ao que o rodeia, acaba por obrigar o homem a destruir-se a si mesmo, quer com guerras e as suas bombas nucleares, ou com a destruição do planeta em que vivemos e a sua natureza. Tudo para conseguir aquele objecto, para fazer aquele trabalho que domina as nossas vidas.

"O Trabalho Alienado", Manuscritos Económicos Filosóficos, Karl Marx
"Essential Lectures, Man and Nature, Recordings, Alan Watts