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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

12x12

12 x 12
16 de Dezembro na Galeria Arte Graça

Foi no ano passado que me deparei pela primeira vez com esta iniciativa: 12x12.
Levada a cabo por ex-alunos da Faculdade de Belas-Artes, esta é uma exposição em que o principal objetivo é proporcionar uma experiência de “partilha e de confronto dos trabalhos” com o público e com os restantes artistas participantes. 
Por ter a sua origem na Faculdade de Belas-Artes, sendo também maioritariamente divulgada aí, é natural que os participantes sejam na sua maioria alunos, ou ex-alunos da Faculdade, mas não havendo restrições a esse nível (sendo esta uma iniciativa que abre portas a todos os que tiverem interesse em participar), e em conversa com uma das responsáveis pela organização no dia 16, apercebi-me que desde a sua primeira edição em 2011, o número, não só de participantes, como de participantes de fora das Belas-Artes, tem vindo a crescer. 

A única restrição que a 12x2 impões aos seus participantes é a questão do formato: 12cm x 12cm. Formato este que equivale ao tamanho de uma caixa tradicional de CD, fazendo destas o contentor de cada obra, ou seja, todas as obras expostas na exposição estão (ao em vez de emolduradas) em caixas de CD fixas na parede.

Tendo tomado conhecimento da exposição no ano passado quando, este ano, vi os cartazes da exposição nos corredores da faculdade, logo me informei para participar. 
O facto de não haver restrição em relação à técnica que é usada cativou-me bastante, apercebendo-me, já na exposição, que as obras podiam ainda ter volume, desde que não excedessem as proporções de um cubo com 12cm de lado. 
Gosto desta ideia de um evento que incentiva e abre portas aos artistas. Por ser estudante de Design de Comunicação e sentir, desta forma, que há lugar para que eu (e muitos outros) possa explorar outras áreas nas quais gosto muito de trabalhar, como o desenho, a ilustração e a pintura. Esta iniciativa deixa-me, de certa forma, mais segura e confiante em relação ao facto de querer alargar o meu trabalho desde o design a todas estas áreas e que, no fim, todas elas acabam por ser compatíveis e co-dependentes. 

A edição deste ano teve lugar na Galeria Arte Graça, no dia 16 de Dezembro. 
A Galeria Arte Graça é um espaço amplo com uma sala e um mezanino iluminadas pela grande porta e janela em vidro da fachada principal. As obras estavam dispostas numa larga faixa horizontal que acompanhava e cobria as paredes da galeria. As obras foram dispostas aparentemente de uma forma aleatória, segundo critérios estéticos definidos pela organização (e não por autor) permitindo que assim, que cada artista se sentisse livre de desenvolver trabalhos similares (como uma coleção) ou não (experimentando diferentes técnicas e abordagens).  



Um dos aspetos que considero relevante salientar é o facto de as obras estarem à venda durante o período de exposição. E visto que a exposição tem apenas um dia de duração, e que os artistas são convidados a estar presentes, há uma relação e um espírito especial que se instala. 
Entre os convidados, os organizadores da exposição e os artistas cria-se um ambiente de convívio que se torna não só importante, como diria eu, imprescindível para a vivência e concretização daquele que é o objetivo da 12x12
Com isto quero dizer que, o facto de as obras poderem ser compradas, incentiva à curiosidade extra do observador que se torna comprador, tanto pela obra como pelo artista, procurando assim o dialogo sobre ou com os mesmos. Este foi um dos aspectos que mais me cativou nesta iniciativa.  

Lá, no dia 16, tive oportunidade de ver a exposição e de ir conversando, tanto com membros da organização que se mostraram sempre muitos disponíveis, como com artistas participantes que já conhecia da faculdade, tendo tido oportunidade de conhecer melhor o seu trabalho, como com artistas que não conhecia. 
Uma exposição e iniciativa que tem crescido todos os anos e que merece ser divulgada pela sua irreverência e altruísmo para com a comunidade dos artistas em Portugal. 


Recensão 
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Site 12x12:


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Impossível Imobilidade

Atlas do Corpo e da Imaginação, Gonçalo M. Tavares

“sou infeliz porque fui demasiado rápido ou extremamente lento”, diz Gonçalo M. Tavares numa das reflexões presentes no seu  Atlas do Corpo e da Imaginação.
Esta afirmação fez-me pensar sobre a vida em sociedade, vida esta que se resume a uma procura da velocidade certa, do ritmo certo. Gonçalo M. Tavares afirma ainda: “a cidade utópica (feliz) não é a que tem as leis certas como os filósofos sempre defenderam, mas sim a que tem o ritmo certo”.
E claro que as leis servem como mecanismo de procura desse equilíbrio de ritmos e velocidades, na medida em que definem mínimos e máximos aceitáveis para a nossa atividade no mundo (procurando sempre não criar desordem). Mas apesar de nos darem esses limites, muitas vezes não nos dão a velocidade certa e exata — temos que ser nós a procura-la individualmente —, mas quanto dão, quando realmente nos é imposta uma velocidade exata,  o descontentamento e o grito pela liberdade faz-se ouvir mais alto do que nunca. 
   Queremos ser livres e escolher o nosso ritmo, no entanto e simultaneamente, não somos felizes, não nos dizemos felizes ou satisfeitos com o que somos ou temos. 
   Vemos a felicidade como um estado (estado de felicidade) que ainda está por alcançar, uma velocidade por atingir. Isto leva-me a crer que, diretamente relacionada com esta esperança e fome de uma velocidade certa está a vida em sociedade e a ideologia patentes, com todas as suas manipulações. A vida de todos os dias que nos incentiva a ser gananciosos e compulsivos por tudo aquilo que não precisamos e um por modo de vida que se diz ser capaz de nos dar a felicidade esperada.
   A sociedade dos dias de hoje empurra-nos para um constante descontentamento e fome de mais; empurra-nos para a velocidade e o ritmo acelerado que vivemos todos os dias pensando que tudo é fruto da nossa liberdade de movimentos. Uma velocidade e um ritmo que não pára, que não pode parar. 
Não será isto uma prisão em vez de uma libertação? É-nos dito que podemos fazer tudo menos parar
A sociedade exige que não fiquemos parados. Como se tudo fosse fundamental para o bom funcionamento desta grande máquina que é a vida numa sociedade moderna. 

   Por outro lado, não nos queixamos, não só porque “temos liberdade”, mas porque queremos ser aceites. Queremos pertencer a algo maior do que nós, e, por isso participamos cegamente no que nos é proposto. Mas e se nos cansarmos de ser livres? Se nos cansarmos de estar sempre em movimento? Se quisermos só viver, estar vivos, ficar imóveis por um instante? Deixamos a nossa liberdade para trás ou somos livres de o fazer e de o ser? 


Reflexão II
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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Um mundo feito de Linguagem


O Pão Dos Deuses, Terence McKenna

A leitura de O Pão dos Deuses, de Terence McKenna, surgiu após um almoço de amigas onde discutimos sobre toda esta manipulação latente na nossa sociedade que nos faz maioritariamente destruidores, em vez de construtores aquele que deve ser o equilíbrio. Isto, em primeira mão, aplicado à Natureza, ao mundo à nossa volta. 
Questionámo-nos sobre a razão pela qual “deixámos” de a respeitar — porque é esta que nos fornece os principais bens essenciais para a sobrevivência humana —, e sobre toda a falta de coerência latente nesta sociedade em relação a este assunto. Queremos proteger o nosso planeta, mas tudo o que fazemos (movidos pela ganância de poder) é destrui-lo. 

Posto isto, surgiu o nome deste livro que nos dá uma visão alargada da relação Homem/Natureza ao longo da história da Humanidade. Dias depois estava a requisita-lo na Biblioteca Camões e logo me apercebo que o tema deste livro vai um pouco mais além do tema que tinha falado anteriormente com as minhas amigas. 
“Uma história radical das Drogas, das Plantas e da Evolução Humana. é a frase que introduz este livro que nos oferece uma extensa reflexão acerca do “nosso mundo perturbado” abordando assuntos que, de alguma forma, alteraram a atividade humana sobre a natureza — para melhor ou pior.

Decidi falar deste livro neste primeiro texto reflexivo porque um dos seus primeiros capítulos diz respeito à linguagem — “Um mundo feito de Linguagem” — pelo que, pude relacionar algumas das ideias que aqui são expostas por este autor com os temas das aulas de Cultura Visual. 


McKenna, no início deste capítulo, começa por citar a antropóloga Misia Landau:
“A revolução linguística do século XX é o reconhecimento de que a linguagem não é apenas um instrumento para comunicar ideias sobre o mundo, mas sim, em primeiro lugar, uma ferramenta para fazer o mundo existir. A realidade não é simplesmente ‘experimentada’ ou ‘refletida’ na linguagem, ela é, de facto, produzida pela linguagem.”

Podemos, portanto, relacionar esta afirmação com as ideias pós estruturalistas em que o sujeito, é definido/construído pela linguagem, por ser chamado, por ser nomeado — pela ideologia. 
Parece-me importante salientar e referir que, tal como o sujeito, a Natureza faz sentido em nós  não só porque é sentida e vista mas porque é pensada, contada, verbalizada através da linguagem podendo ser transmitida aos que estão à nossa volta, fazendo-nos participantes desta construção ideológica, desta ideia de mundo, de realidade, de “eu”. 
Esta ideia de que a linguagem produz a realidade, e segundo McKenna, vai de encontro aquilo que defende, acrescentando ainda que as respostas que nos são dadas pela ciência acerca do mundo onde viemos não nos dão luzes nem mecanismos suficientes para um conhecimento da realidade. Este defende que esse conhecimento é-nos revelado pela natureza que se conta a si própria, que se mostra aos nossos sentidos, e pela natureza contada — e aqui já nos referimos ao resultado de um processo de reflexão que termina em comunicação de uma ideia através da linguagem.

A linguagem é, portanto, aqui vista como ferramenta primordial para o reconhecido e consciência do “eu” e do mundo (da realidade). Toda essa consciência é fruto da linguagem.

Mas se esta não é mais do que a solução encontrada para a satisfação da uma necessidade humana — a necessidade de nos sentirmos parte do que nos rodeia e, principalmente de o perceber — não será um caminho de procura perfeitamente falível e sempre sujeita à evolução inerente à condição humana, e por isso vista como um caminho sem resposta no final?


Reflexão I
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