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sábado, 6 de janeiro de 2018

ULURU: MISTO DE CULTURA E SAGRADO

Uluru é considerado pelos nativos australianos um lugar sagrado, já lá vão cerca de 10 000 anos que assim é. Em poucos anos a sua função local sagrada e de culto nativo foi mudada pelo governo australiano, que o transformou num parque turístico. Varias instalações e percursos para turistas foram construídos, um deles inclusive pela subida da rocha sagrada, o que demostrou um enorme desrespeito para com os indígenas e para com a sua cultura do sagrada.
Related imageAo longo dos anos, esta situação tem sido alvo de grande debate. Recentemente, estudos comprovam que 16% dos turistas de 2011 a 2015 subiram este elemento cultural, o que demonstra um grande desrespeito por parte dos turistas, fora já a afronta causada pelo governo australiano na descaracterização do monte sagrado. Este lugar que os indígenas consideram sagrado, origem de histórias contadas ao longo das suas várias gerações, não deveria, nem deve, ser visto e usado como parque de entretenimento para aventureiros que por lá passam de férias.

"It is an extremely important place, not a playground or theme park like Disneyland.”

"If I travel to another country and there is a sacred site, an area of restricted access,        I don't enter or climb it, I respect it.”

Comentários de homens de Anangu, localidade indígena do sul australiano.

Os nativos, esses, não chegaram a demonstrar grande revolta contra tamanha invasão, por serem eles gentes de compreensão e bondade, que não quiseram prejudicar a atração turística, mesmo usurpando esta o seu local de culto.Assim mesmo, a polémica em redor do monte Uluru resultou num acordo entre autoridades e a comunidade aborígene. A partir de 2019 o percurso que sobe a rocha será cancelado. Uluru voltará a ser uma fonte de aproximação da cultura indígena, um lugar onde os turistas possam compreender a espiritualidade do povo indígena (e quem sabe a sua espiritualidade interior) e ainda onde consigam obter novos conhecimentos e pontos de vista sobre o passado desta incrível adaptação e cultura humana.
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domingo, 31 de dezembro de 2017

REPRESENTAÇÕES CULTUAIS

Edward Said, com o seu livro Orientalism, publicado em 1978, revolucionou o estudo do Oriente. Nele o educar a sociedade ocidental sobre os povos de certas partes da Asia, Norte de Africa e Médio Oriente era o principal objetivo. Este filosofo da Palestina, realça a forma como os países do ocidente distorceram a realidade das pessoas e lugares do oriente através de pinturas, onde, por exemplo, se representa a mulher, sexualmente, num ambiente misterioso, o exótico e o mundo da viagem, o que criou uma imagem errada da história e realidade orientais, idealizando, para os europeus, o que não é real.
Paralelamente, acontece que, atualmente, as redes sociais alimentam a sociedade com falsas informações, através muitas vezes de estereótipos, processo abordado por Edward Said. Os meios de comunicação, globais, atribuem cada vez mais características ao Médio Oriente que não coadunam com a sua realidade, negativizam-no, tornam-no numa ameaça para o mundo ocidental, para os povos, tornam-no em nações frias e anti paz.
“The secular world is the world of history as made by human beings. Human agency is subject to investigation and analysis, which it is the mission of understanding to apprehend, criticize, influence, and judge. Above all, critical thought does not submit to state power or to commands to join in the ranks marching against one or another approved enemy. Rather than the manufactured clash of civilizations, we need to concentrate on the slow working together of cultures that overlap, borrow from each other, and live together in far more interesting ways than any abridged or inauthentic mode of understanding can allow. But for that kind of wider perception we need time and patient and sceptical inquiry, supported by faith in communities of interpretation that are difficult to sustain in a world demanding instant action and reaction.” -Edward Said, in Orientalism
Isto demonstra a facilidade com que o ser humano se manipula, para acreditar numa realidade não existente, um ser racional a entrar numa armadilha de informações falsas criando conclusões precipitadas e acabando por agir incorretamente perante acontecimentos que lhes foi apresentado, mas falsos. Contudo, este nosso defeito que rebaixou raças, comunidades, tradições, gostos e preferências, que originou eventos inapropriados em que só depois de descoberto o erro, de descoberta a verdade, nos apercebemos das nossas falhas, não nos faz querer melhorar, pelo contrário, falhamos continuamente, sem aprender com os nossos antepassados. Deixamo-nos fluir pelo que nos foi dito, fazendo de nós um animal ensinado e não autodidata, que não sabe o motivo pelo qual age, um animal racional que se resume a um conjunto de referências. Só no raro momento em que pensa por si próprio e reconsidera as informações que recebeu, acreditadas como factuais, verdadeiras para ele, portanto, pensando de outra forma, é que passará a ser visto como um herói, ou um criminoso!
“Knowledge means rising above immediacy, beyond self, into the foreign and distant. The object of such knowledge is inherently vulnerable to scrutiny; the object is a ‘fact’ which, if it develops, changes, or otherwise transforms itself in the way that civilizations frequently do, nevertheless is fundamentally, even ontologically stable. To have such knowledge of such a thing is to dominate it, to have authority over it.”  -Edward Said, in Orientalism

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O Verdadeiro Significado Da Felicidade

A expressão e o conceito “Industria Cultural” foi desenvolvido pelos filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer, alemães, em 1942, e tendo como questão principal a arte no excesso consumista do ser humano. O problema que deu origem a esta teoria filosófica baseia-se no entender de que o capitalismo na reprodução e produção artísticas é responsável pelo desaparecer das verdadeiras artes popular e erudita por os seus espectadores serem impedidos de participar intelectualmente e verdadeiramente nestas duas formas artísticas.  
Segundo Adorno, a sociedade está a alterar o sentido da palavra “lazer”. O que para nós é “relaxar”, “passar tempo com amigos ou com coisas materialistas”, para o alemão deveria ser, ou é para ele, uma oportunidade para expandir e desenvolver os nossos interesses de forma a alcançarmos os nossos objetivos e mudar a sociedade. “O homem é tão bem manipulado e ideologizado que até mesmo o seu lazer se torna uma extensão do trabalho”. De certo modo, o lazer está a ser substituído pelo entretenimento tecnológico que nos desencaminha dos nossos objetivos.
É claro que ainda temos essa necessidade materialista e o capitalismo não vende o que realmente precisamos. Um de vários exemplos atuais desta “Industria Capitalista” é a ilusão da necessidade que varias empresas propõem aos consumidores de que temos que comprar o modelo mais recente e avançado do mercado, a Apple fá-lo ao lançar um novo iPhone todos os anos em que o que o distingue do anterior são os pequenos avanços tecnológicos nada espetaculares. O desejo sobrepõe-se sempre à verdadeira necessidade, sempre quando entramos num mundo de imensa variedade e quantidade.

Efetivamente, Adorno comprova que o que realmente precisamos é estar em comunidade, é de compreensão, calma para com os outros e de nos desligarmos da economia presente. É nesta fraqueza que os anúncios publicitários exploram: o que queremos não é o que precisamos e necessitámos. “A felicidade está obsoleta: não é rentável”. Outro exemplo é a famosa Coca-Cola, onde, nas suas campanhas de marketing, é unida a diversão e amigos à bebida, o que sabemos muito bem serem não ter relação alguma: a amizade não depende nem se deve á coca-cola. A indústria sabe que almejamos para uma vida social e em comunidade, mas querem-nos é sozinhos a consumir mais, esquecendo o verdadeiro significado da felicidade.