Mostrar mensagens com a etiqueta 11422. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 11422. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Bordalo II "Attero" - Recensão

    “Attero” do Latim Desperdício, é o nome da 1. ª exposição do artista Bordalo II.
    Artur Bordalo, nascido a 1987 em Lisboa. Neto do pintor Artur Real Bordalo, assim assina Bordalo II; e também, à luz desta influência torna-se artista plástico, depois de ter começado o curso de Pintura, na Faculdade de Belas Artes de Lisboa.


Aquele armazém, situado num bairro Lisboeta do Beato, tinha servido de atelier criativo e sítio de despejo do próprio Bordalo, enquanto não era reconstruído. Então, a pedido do artista, adiaram o início das obras para depois da exposição. Exposição esta, que foi um enorme êxito; nas duas primeiras semanas passaram, em média 1000 pessoas por dia e todas as escolas, desde primárias e secundárias quiseram marcar presença naquele Jardim Zoológico de detritos. Começamos por observar as obras mais pequenas, onde chamam à atenção para problemas sociais e ambientais, põe os ratos no papel de humanos para fazer pensar, quem é, a verdadeira praga, porcos no papel da polícia como símbolo da corrupção do país e raposas como mulheres para mostras a matreirice do ser humano.
    Estas primeiras peças são completamente pintadas, à medida que avançamos na exposição, as partes de lixo cobertas a tinta passam a metade, até às últimas obras, apenas lixo soldado em lixo. Ao mesmo tempo que a tinta diminui, a dimensão das peças aumenta, Bordalo II fez um rinoceronte em tamanho real. Além das críticas por detrás deste projeto, o artista aplica-se arduamente na fisionomia das espécies que retrata, recorre a imagens técnicas imensamente detalhadas, as diferentes texturas é que fazem de cada peça, algo único ainda mais incrível. O artista pega em quaisquer pedaços de lixo e corta-os, amolga-os, solda-os e sobrepõe-nos criando montanhas de lixo que se tornam bicho, nunca demorando mais do que uma semana por peça.



    A exposição teve uma grande influência de visitantes europeus e chineses, passaram também alguns dos Estados Unidos e da Austrália. Visitantes estes, já conhecedores das obras do artista, pois, Bordalo II foi primeiramente reconhecido no estrangeiro do que em Portugal, tem apenas 20% do seu trabalho cá, e 88 peças espalhadas mundialmente. É na imundice de fábricas abandonadas, que agora servem aterros ilegais, que Bordalo II encontra as melhores peças para os seus trabalhos. Foi assim, a arrombar fábricas, que começou o seu projeto, isto é, aprendeu técnicas de arrombamento quando “grafittava”, mas a certa altura percebeu que esses grafittis que fazia mostravam o seu nome mas duma maneira egocêntrica, ainda fez algumas criticas sociais nos mais quotidianos lugares e objetos, mas nesta altura decidiu criar um maior impacto, então em 2012 quis arrancar de vez com um projeto. Nessas fábricas fez diversas obras que publicou na internet, e foi a partir daí que o seu nome se espalhou. Os seus animais corriam a internet com vontade de correr o mundo, em 2015, vários blogs de arte importantes, falaram do seu nome dando-lhe milhões de visualizações. Nesse ano deu um salto do tamanho do mundo, começou a ser convocado para os maiores festivais de artes urbana em todo o planeta; além das inúmeras encomendas, para fachadas, feitas também em escala mundial.

    Além de dar vida ao lixo, o artista alerta-nos, para a maneira como andamos a viver a nossa, lixo retratando animais, pois destruímos constantemente o ambiente, esgotamos o planeta, tirando-lhe a ele e a nós vida. A sociedade privilegia o dinheiro às pessoas e isso mata-as. O artista quer agitar consciências e o lixo é o seu veículo. 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O tato atuando no visual

       É nas linhas de montagem da Citroën, depois da guerra, que, através do tato, o Homem transforma matéria em vida, nascendo o Citroën boca de sapo, modelo Déesse (Deusa). O automóvel faz papel de mensageiro do sobrenatural, associado a Deus, e ás suas obras, a maneira como ele criou o mundo perfeito e sem fahas, sem costuras.
       Sem costuras e marcas, era também o automóvel,era admiravel  a junção do vidro à chapa, e desta ao volante. É a passagem de uma arquitetura bruta, de soldar, a uma de sobreposição e encaixe de peças, criando uma forma maravillhosa de uso fácil. Arquitetura menos categórica, isto é, linhas contínuas e sem origem, é uma união mais leve e aerodinâmica, mais bonita, tal e qual como o seu controlo. Passou a ser então um paradigma de leveza e controlo, abandonando o antigo, de peso e velocidade, aqui trata-se, principalmente, do conforto do condutor. Torna-se num espaço mais doméstico e domesticável, passa de uma visão de central de fábrica, isto é, só botões, luzes e alavancas, para uma visão de bancada de cozinha, onde tudo é no sitio certo, e manual do início ao fim, em que todos os passos contribuem para um fim específico, só acontece aquilo que o condutor faz para que aconteça. 
       Neste aspeto, mima-se, agora, a condução com o corpo todo, as costas e pernas acentes nos estofos e almofadas, as mãos acariciam o volante e as várias bolas brancas servindo de mudanças, os olhos gostam do que vêem, e pela primeira vez, os ouvidos apreciam o silêncio da máquina. Todos gostam do regresso do desportivo ao clássico, a excitação pela velocidade é escondida pela gula da condução, do conforto no interior e exterior do automóvel, do seu acabamento e brilho final. É uma máquina, mais objetiva, no entanto, procuram mais pela satisfação do controlo da condução, do que pelo seu resultado. 
       O objeto foi lançado e era supradesejado. A recuperação da França, no pós-Guerra foi parcialmente devido aos carros da Citroën, e a todas as suas evoluções a partir daí, o que melhorou também os transportes do país.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Consumir ou ser consumido

           A parte natural do indivíduo vai desaparecendo ao longo do tempo, pois vivemos num ambiente em que a Ciência e a Tecnologia dominam a Cultura, deixando para trás o que é Natural. Nascemos (quase) com tecnologia nas mãos e já com limitações da liberdade impostas pela Cultura, mas, ao mesmo tempo, não temos capacidades de viver fora dela. A Cultura é a arma de progressão da espécie humana – com o progresso da linguagem e tecnologia. Sem estas evoluções teríamos sido extintos, devido às mudanças de ambiente, ou permaneceríamos eternamente Homo Sapiens.

Segundo autores da Escola de Frankfurt, dividindo o mundo cultural como uma casa: o chão como base,  caracterizando os recursos naturais disponíveis utilizados pelo Homem; as paredes e a estrutura interna da casa, são os homens, nos seus postos de trabalho suportando o telhado, isto é, os meios centifico-tecnológicos, como por exemplo as comunicações. À medida que colocamos esses recursos ao serviço da evolução da Cultura, a mesma consome-nos enquanto indivíduos. Estamos no meio de um campo de batalha dos Media, somos constantemente bombardeados com publicidade, que nos impõe a ideia de quais as melhores marcas, serviços e produtos, tanto que já nem questionamos -  a isto dá-se o nome de Hegemonia. É a adesão massiva de certos princípios ou ideologias, a necessidade (não assim tão necessária) do produto, marca ou serviço x, que por recurso a celebridades são credibilizados. Na adolescência é constante submetermo-nos às modas, mesmo que isso implique usar roupas da adolescência dos pais ou avós, ou, pelo contrário, gastar um balúrdio numas calças rasgadas.

Para evitar esta guerra de consumir/ser consumido, devemos procurar informação que nos possibilite chegar a uma tomada decisão mais consciente e ponderada. Só questionando e desenvolvendo os prós e contras de cada consumo podemos percecionar se o produto, marca ou serviço em questão irá realmente responder às nossas necessidades/requisitos.