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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

My name is Khan - Recensão

O nome dele é Khan e ele não é um terrorista!

My name is Khan é um filme dirigido por Karan Johar e cujo papel principal é interpretado por Shahrukh Khan.

Rizwan Khan é um Indiano Muçulmano que sofre de Síndrome de Asperger cresceu com a sua mãe em Mumbai. Ele é diferente, ingênuo e apenas entende o sentido literal das palavras. No entanto é extremamente inteligente e talentoso e a forma como ele "vê" a vida segue apenas um principio: o mundo tem apenas dois tipos de pessoas. Pessoas boas que fazem coisas boas e pessoas más que fazem coisas más. A mãe de Rizwan morreu durante a sua juventude e a memória dela está sempre presente.
Depois de adulto e de se ter mudado para Los Angeles, ele apaixona-se pela Mandira que é cabeleireira e mãe solteira de Samee. Os dois casam-se e vivem uma vida feliz, mas apenas até aos atentatos de 11 de Setembro, quando começam a ser atacados por sua origem étnica e a ser vitimas de muito preconceito.

O filme funciona claramente melhor na primeira parte. É muito mais simples, leve e agradável. A segunda metade introduz a América pós-9/11 com todas as suas imagens perturbadoras de discriminação, ataques insensatos e assassinatos. A representação de Johar desta fase é feita de forma brilhante. Por um lado temos Rizwan que vai fazer de sua missão mostrar ao mundo a sua inocência de não ser um terrorista, e por outro lado, temos a sua esposa, Mandira, que procura justiça, depois de um incidente muito trágico (a morte do seu filho). Incidente pelo qual ela culpa Khan.

Durante a viagem de Khan pelos Estados Unidos da América, são apresentados vários episódios que engrandecem e recheiam o filme. A cinematografia é simplesmente incrível.

Apesar de não se tratar de um super filme nem de atores populares na cultura ocidental, é um filme muito bem realizado e que ataca problemas reais. Este filme marcou-me pois permitiu uma aproximação a uma realidade vivida por grande parte do mundo, onde sempre há preconceito, racismo, mas também pessoas boas que tentam fazer o possivel para um mundo melhor.

sábado, 23 de dezembro de 2017

The Matrix segundo Karl Marx

No The Matrix, é apresentada uma escolha entre duas possíveis "realidades". A verdade e a ilusão.

Na primeira nascemos e morremos emprisionados, onde máquinas, ou segundo Marx, a classe dominante, nos mantêm drogados e confinados para que possam aproveitar a nossa bioenergia.

Na segunda, a ilusão, nós, a classe dominada, vivemos a vida normal. Vida em que acordamos, vamos até ao escritório que se situa num alto edifício de uma grande cidade, e cumprimos o típico horário de trabalho. Depois voltamos para casa e assistimos televisão até ir dormir. Todos os dias. – Sendo tudo isto uma mera simulação de computador, ligada aos nossos sistemas nervosos por máquinas, apenas para aproveitar mais energia.

Ou seja, por um lado é-nos apresentada uma realidade de pesadelo mas por outro, uma aborrecida alucinação.

Podemos então interpretar O Matrix como uma metáfora para a vida que estamos a viver actualmente. Uma realidade que retrata a sociedade capitalista na qual estamos presos e para a qual, estamos nós convencidos, não há alternativa. A ilusão de que os habitantes do Matrix são explorados é semelhante à maneira como vivenciamos este capitalismo. A experiência quotidiana que vivemos da realidade é uma ilusão ideológica, uma ilusão construída no capitalismo, cuja realidade é muito pior que a nossa tediosa experiencia quotidiana.

No Matrix é dada uma escolha representada por dois comprimidos, um azul e outro vermelho. Cada um destes comprimidos representa desfechos diferentes. Ou continuamos a viver numa ilusão sem fim ou vemos a realidade como ela é e lutamos para a mudar

Como Marx argumentou, a classe trabalhadora é explorada pela classe dominante, mas isto apenas acontece devido a classe submissa não se aperceber que está a ser explorada. Esta não entende a posição em que está porque é confundida por mensagens sociais que dão aos trabalhadores uma visão distorcida de como eles se encaixam no mundo.




Referencias:

Marx, Karl (1993). «O Trabalho Alienado» in Manuscritos Económico Filosóficos. Lisboa: Ed. 70. - http://textos.yolasite.com/resources/07Marx_AlienacaoX.pdf