Paris, Texas (1984) de Wim Wenders, conta a história de um homem chamado Travis Henderson que desaparece durante 4 anos sem ninguém saber porquê. O filme começa com Travis a caminhar pelo deserto do Texas e a encontrar um bar onde desmaia e é ajudado. Foi levado para um hospital, onde durante a sua estadia não disse nada a ninguém, o médico acaba por chamar o seu irmão Walt Henderson para o vir buscar. Depois de uma busca pelo deserto Walt encontra o seu irmão Travis mais uma vez a vaguear e começam a viagem de regresso a casa. Durante a ausência de Travis o seu irmão tomou conta do seu filho juntamente com a sua mulher Anne Henderson. Com o passar do tempo a vida de Travis começa a recompor-se inclusivé já tem uma ligação mais próxima com o seu filho mas ainda não sabe onde é que a sua mulher está, Jane Henderson. Graças a Anne, Travis sabe onde a pode encontrar e vai ao seu encontro levando o filho. Jane trabalha num bordel, no primeiro encontro entre os dois ela não o consegue ver e ele não tem palavras para lhe dirigir. Travis deixa o filho num hotel com uma gravação a explicar que não conseguia mais estar presente na vida dele porque não se perdoava pelas coisas que tinha feito no passado. De volta ao bordel Travis vai falar com Jane mas desta vez vai contar tudo o que aconteceu, o motivo pelo qual se foi embora durante os 4 anos, para ela entender quem ele é. O filme acaba com Travis a ir embora e Jane a ir ter com o seu filho.
Para além de ser um filme memorável pela empatia que Wim Wenders cria entre nós e a personagem principal, pela fotografia minuciosa de Robby Muller é também um critica à sociedade americana que vive numa completa alienação. Podemos notar essa critica quando Anne teme que o casamento com Walt acabe se o filho do irmão se for embora, como se a criança fosse o laço de união do casamento. Mas maioritariamente esta alienação faz-se notar na personagem principal que se afasta por completo da sua vida, sem explicações e sem avisar ninguém. Afasta-se da confusão de uma sociedade em crescimento que a cada dia que passa ganha mais velocidade. Travis quando conta que acorda e está em chamas a primeira coisa que fez foi tentar encontrar Jane e o filho, completamente sem noção que secalhar quem lhe pegou fogo foi ela por causa da relação abusiva que mantinham.
Apesar de não ser um filme que se oiça falar todos os dias, é memorável pela crueza e naturalidade com que demonstra a realidade de uma vida e não de mais um romance ao qual já estamos habituados. E talvez por não ser mais um romance é que este filme continua vivo mas apenas pelo boca-a-boca.
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
um futuro
Cruzando opiniões com o texto de Barthes "O Novo Citroen" e com "O Trabalho alienado" de Karl Marx conseguimos chegar à nossa sociedade atual, uma sociedade capitalista e consumista que está a ficar para trás em relação ao crescimento das novas tecnologias.
Em "O Novo Citroen", Barthes menciona que "(...) o automóvel é hoje o equivalente bastante exato das grandes catedrais góticas: quero dizer, uma criação que faz a época (...)". Dissecando temos, de um lado a catedral gótica que foi o grande símbolo de poder de cada cidade no século XIII após um período de crise na história da arte ocidental; e do outro lado temos, posteriormente no inicio do século XIX, temos a criação de um novo meio de locomoção, o carro, numa sociedade que começa a sentir a industrialização e as novas descobertas tecnológicas.
Já nos fins do século XX Karl Marx em "O Trabalho alienado" escreve sobre a sociedade que agora está completamente industrializada, e de tal maneira que "(...) a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta à desvalorização do mundo dos homens.". A valorização e a necessidade de produção dos objetos aumentou exponencialmente de tal maneira que o trabalhador passou a estar subjugado a este como um servo, a este pois ele mesmo precisa do objeto e dos lucros que tem com o trabalho de o realizar.
Com base nestes dois textos, ao olharmos para a nossa sociedade em pleno século XXI, não conseguimos ver com exatidão a velocidade a que as novas tecnologias estão a crescer. Todas estas descobertas fazem a nossa época e o conhecimento que temos. Por enquanto estamos a conseguir acompanhar e saciar a nossa curiosidade insaciável, mas será que com o crescer exponencial das tecnologias vamos conseguir continuar acompanhar?
Em "O Novo Citroen", Barthes menciona que "(...) o automóvel é hoje o equivalente bastante exato das grandes catedrais góticas: quero dizer, uma criação que faz a época (...)". Dissecando temos, de um lado a catedral gótica que foi o grande símbolo de poder de cada cidade no século XIII após um período de crise na história da arte ocidental; e do outro lado temos, posteriormente no inicio do século XIX, temos a criação de um novo meio de locomoção, o carro, numa sociedade que começa a sentir a industrialização e as novas descobertas tecnológicas.
Já nos fins do século XX Karl Marx em "O Trabalho alienado" escreve sobre a sociedade que agora está completamente industrializada, e de tal maneira que "(...) a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta à desvalorização do mundo dos homens.". A valorização e a necessidade de produção dos objetos aumentou exponencialmente de tal maneira que o trabalhador passou a estar subjugado a este como um servo, a este pois ele mesmo precisa do objeto e dos lucros que tem com o trabalho de o realizar.
Com base nestes dois textos, ao olharmos para a nossa sociedade em pleno século XXI, não conseguimos ver com exatidão a velocidade a que as novas tecnologias estão a crescer. Todas estas descobertas fazem a nossa época e o conhecimento que temos. Por enquanto estamos a conseguir acompanhar e saciar a nossa curiosidade insaciável, mas será que com o crescer exponencial das tecnologias vamos conseguir continuar acompanhar?
sábado, 23 de dezembro de 2017
incomplacência consumista
Tendo em conta o texto "O Novo Citroen", publicado por Roland Barthes in Mitologias, é-nos transmitida uma ideia nova em relação ao que conhecemos por carro. Este passa de um mero automóvel, a nova tecnologia de "rápida" locomoção do século XIX para uma ostentação, um bem desejado pela beleza e pela sua uniformidade estética. Barthes compara-o ainda ás catedrais góticas que eram o expoente, o símbolo de poder de cada aldeia.
Com esta mudança de paradigma o autor apresenta-nos a sua visão, onde os sentidos passam a ter um papel fulcral na compra do automóvel: "o tato é o mais desmistificador de todos os sentidos, ao contrário da vista, que é o mais mágico". Apesar do tato ter um papel principal nesta compra todos os outros sentidos tinham também um papel importante: o cheiro a carro novo, o som do sentar nos estofos novos.Tudo o que motivasse a compra era tido em conta.
Hoje em dia o paradigma voltou a mudar, e não nos dando conta, abdicamos completamente de todos os sentidos quando desejamos algum objeto. Porque vivemos num momento em que o importante é ter no imediato sem qualquer tipo de contemplação. Em consequência do consumismo instalado na nossa sociedade a nossa "complacência neomaniaca" esgota-se num click, num qualquer site da Internet.
Com esta mudança de paradigma o autor apresenta-nos a sua visão, onde os sentidos passam a ter um papel fulcral na compra do automóvel: "o tato é o mais desmistificador de todos os sentidos, ao contrário da vista, que é o mais mágico". Apesar do tato ter um papel principal nesta compra todos os outros sentidos tinham também um papel importante: o cheiro a carro novo, o som do sentar nos estofos novos.Tudo o que motivasse a compra era tido em conta.
Hoje em dia o paradigma voltou a mudar, e não nos dando conta, abdicamos completamente de todos os sentidos quando desejamos algum objeto. Porque vivemos num momento em que o importante é ter no imediato sem qualquer tipo de contemplação. Em consequência do consumismo instalado na nossa sociedade a nossa "complacência neomaniaca" esgota-se num click, num qualquer site da Internet.
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