O Ocidente e o Oriente, dois lados da mesma moeda, sempre surgiram como opostos, e podemos analisar que, ao longo da história, se comportam como dois irmãos desavindos, tentando sempre ganhar vantagem um sobre o outro. Seja através de conquistas militares do território, ou do controlo de rotas comerciais ou mesmo através da produção artística vemos que existe de facto uma separação marcada entre um extremo e o outro.
A religião constitui-se como uma forte barreira de diferenciação entre o mundo ocidental e o mundo oriental, sendo mostra disso, a ainda atual divisão de Jerusalém entre vários países e as Cruzadas à Terra Santa com o objetivo de converter os infiéis. Um exemplo prático é o Grande Cisma do Oriente, que ocorreu em 1054 d.C., entre as Igrejas Católicas do Oriente e a do Ocidente e, mais tarde, pela Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero. Com o objetivo de persuadir os fiéis a permanecer na fé Católica, inicia-se um vasto programa artístico, que potencia o surgimento do Barroco, estilo dramático, exagerado e glorioso. Avançando um pouco no decurso da história, chegamos ao Neoclássico, impulsionado pela Revolução Francesa e recuperando a estética da Antiguidade Clássica e respetivos valores morais, sociais e políticos. O quadro ‘A Odalisca’ de Jean Dominique Ingres, foi exposto no Salão em 1819, causando grande escândalo, pois apresentava uma mulher nua deitada sobre um divã, que não era Vénus, mas sim uma Odalisca, uma mulher de um harem. O que é particularmente interessante é que Jean Dominique Ingres nunca esteve num harem e por isso esta representação constituição uma construção ocidental, social, idealizada e datada do século XIX. Assim, a representação rigorosa da anatomia feminina é tida como secondária em detrimento da sensualidade da figura, resultando em proporções exageradas e adulteradas (como a coluna vertebral longa). Por outro lado, o quadro ‘O massacre de Chios’ de Eugène Delacroix, observamos o resultado da Guerra de independência da Grécia, face ao Império Otomano, na qual a França irá auxiliar (estando também ela em período pós-revolucionário). Delacroix mostra-nos miséria, numa espécie de confronto emocional para chamar a atenção a um problema: o domínio político, moral e religioso do Oriente, neste caso, os Turcos, sobre o Ocidente (Grécia).
Em conclusão, entre o Ocidente e o Oriente sempre existiu, para além de uma rivalidade constante, um certo fascínio de um em relação ao outro (mais por parte do Ocidente), sobretudo na arte. Pintores, escultures e arquitetos ocidentais concebiam arquétipos e representações idealizadas desse horizonte distante: o oriente.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.