A arbitrariedade com que cada cultura decide expressar as
experiências vividas e a atribuição de palavras a determinados
conceitos é um sinal de cultura, visto que não é inato. Pode dizer-se que o
conhecimento deriva e é também um sinal do domínio dos recursos. Recursos como
a inteligência e as capacidades emocionais e intelectuais do ser humano, assim
como de recursos naturais que o ser inteligente usa para seu favor, construindo
uma cultura e todo um leque de costumes e hábitos que fazem parte do seu valor
enquanto seres inteligentes e culturais. Este uso de recursos e a sua tradução
para uma capacidade linguística e para uma capacidade de raciocínio avançado,
assim como para a construção de uma vida melhor denotam que existe realmente
inteligência no ser humano, e que a situação ecológica e política da sociedade
se deve ao egocentrismo e à cultura das massas, ao invés de se dever à falta de
inteligência individual. Atualmente, existem dois “polos” que podem vir a ser
fatais à raça humana, ambos fruto de comportamentos ditos racionais. Entramos
numa época de extinção em massa, onde o nosso sistema ecológico se mostra
evidentemente incapaz de sobreviver ao nosso consumo de produtos de origem
animal, ao consumo de combustíveis fósseis e no geral ao consumo em massa que
se instaurou na sociedade ocidental e oriental. Apesar de toda a evolução
mental, e de o ser humano ser agora mais inteligente do que alguma vez o foi,
as escolhas das massas incriminam a nossa inteligência do prejuízo que fazemos
à vida e à biodiversidade no geral. Algo que contrasta também com a dita
inteligência e com o civismo do ser humano são os conflitos políticos da
atualidade. Tão evoluída como se apresenta, a sociedade acaba por cair em
conflitos de crença, religião, sexualidade, económicos, etc, provocando toda
uma eminência de um conflito nuclear para vir. Será que cada um de nós
contribui arbitrariamente para a deterioração das condições básicas inerentes à
nossa existência- a paz, a saúde, o clima- sem sequer pensar nisso? É possível
considerar inteligente um ser que voluntariamente vive regrado pelo prazer em
prol da sua saúde e da saúde do seu planeta? Será inata esta vontade de
auto-destruição que influência o comportamento humano década após década?
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