sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Sentido: razão; bom senso; pensamento

Cair em hábito é o pior dos riscos que se corre no quotidiano. É um ciclo vicioso que nos prende e nos faz deixar passar tanto ao lado, porque já conhecemos tudo. Tudo, mas talvez nada. Costumam dizer que devíamos ser sempre crianças, porque estão em constante descobrimento e procura.

E é precisamente nesta idade que se aprende a língua e depois a falar. Ora, um décimo daquele "tanto que deixamos passar ao lado" reflete indubitavelmente sobre esta oposição entre a língua e o ato de falar. Podemos ver como discursar é a maneira de pronunciar, de articular palavras, enquanto que a língua é mais um sistema, algo que está no ar. É qualquer coisa que está entre o ouvinte e o orador, está conetado pelos cérebros. Então se formos a pensar bem, a língua é qualquer coisa inventada que deixa de fazer sentido quando chegamos a um ponto da linha de pensamento. Quanto mais penso nisto, mais sentido faz. Temos outra vez uma contradição.

Imagino uma mulher que vai a passar na rua e que antes de entrar em casa vê a vizinha à janela. Aí começa a falar com ela, a elogiar as flores, a contar o dia e as preocupações que teve. Se alguém que não falasse a mesma língua estivesse a assistir à conversa, não perceberia nada. É aqui que quero chegar. Parece demasiado óbvio pensar nesta condição e achar que a língua chega a deixar de fazer sentido, mas vejamos como num simples exercício podemos confirmar esta ideia. Se escolhermos uma palavra qualquer do nosso vasto vocabulário e repetirmo-la várias vezes, a mesma torna-se irreconhecível, um aglomerado de sons desconhecidos.

(CARRO;CARRO;CARRO;CARRO;CARRO;CARRO;CAR-RO;CAR-RO;CAR-RO;CAR-RO)

Não discordo que a língua seja muito importante, aliás sem ela ainda mais difícil seria comunicar, seria impossível o leitor entender esta publicação. Na verdade nem seria possível escrevê-la. Mas talvez por ser assim tão indispensável, tão comum nos nossos dias, deixamos passar ao lado. E não refletimos.

Mas afinal de contas o que faz com que faça fazer sentido?



Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.