Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), escrito e realizado por Alejandro González Iñárritu, é um filme norte-americano de 2014, filmado em Nova Iorque que, em 2015, venceu quatro prémios da academia Óscares, sendo um deles da categoria “Best Picture”.
Relembrando o dia em que fui ao cinema com a minha família para ver o filme “Bridman”, lembro-me que o entusiasmo e a expectativa que tinha para o filme era pouco (ou mesmo nada…). Estava certa de que iria ver um filme sobre ou super-heróis ou algo que rondava esse tema. Esta ideia deu-se pelo facto de não ter visto o trailler antes de ver o filme, e agora fico feliz por não o ter feito. Foi uma surpresa inesperada.
O filme conta-nos a história de um ator de Hollywood, Riggan Thomson, reconhecido pelo seu papel de super-herói na sequela de filmes “Birdman”. Apesar do mérito que ganhou ao interpretar o papel de Birdman, Riggan decide recusar atuar no quarto filme. Com esta decisão, a sua carreira como ator dá início a uma grande decadência. Para remediar a sua decisão, para recuperar o sucesso perdido e ganhar uma nova fama e reconhecimento - resistindo sempre à ideia de ser reconhecido apenas pelo seu papel como o ícone cultural “Birdman”, Riggan luta para dirigir e produzir uma adaptação de uma obra do escritor norte-americano Raymond Carver, na Broadway.
O filme começa neste momento da vida de Riggan Thomson. As imagens do filme mostram-nos um ambiente pesado, escuro onde a personagem principal é “assombrada” por uma voz proveniente da sua consciência que, num momento mais avançado do filme, conseguimos perceber que esta personifica o herói Birdman e os seus pensamentos. A ideia que Riggan tem do seu papel como Birdman é fraca, e isto dá-se a entender pela necessidade constante que este tem em se distrair e negar esta “voz” que ouve, bem como a sua obsessão pelo perfeccionismo na realização desta peça.
Durante todo o filme, o espectador encontra-se no autentico “stress”. E esta ânsia foi propositada pelo realizador. A gravação foi feita de maneira a que parecesse que as duas horas de filme tivessem sido gravadas num único take. Existem poucos cortes entre as imagens, estas são bruscas e rápidas e isto deu a sensação de eu própria me encontrar lá, a correr a trás das personagens nos corredores ou a olhar para a plateia de espectadores encontrando-me de pé no palco. Os discursos das personagens e diálogos entre os mesmos são contínuos, sem out-takes ou cortes pelo meio.
“I know Alejandro is very adamant about kind of keeping the rabbit in the hat and not being super specific about how it was shot, but I will say it took a lot of rehearsal and it was very specific... There was no luxury of cutting away or editing around anything. You knew that every scene was staying in the movie, and like theater, this was it, this was your chance to live this scene.” — Emma Stone
Para somar à esta aceleração, o filme é acompanhado por um solo de bateria, tocando jazz. Este detalhe, apesar de por vezes ser consumido pela força das imagens, se não estivesse lá a carga de ânsia do filme reduziria bastante. É destes detalhes que se faz o filme, apesar da história forte que tem por detrás, a força e aceleração da música encaminhamos a pensar num final drástico.
“You’re scared to death, like the rest of us, that you don’t matter. And you’re right. You don’t. It’s not important. You are not important. Get used to it.” — fala de Samantha
A mensagem que tirei deste filme, apesar de muito diferente de algumas pessoas com quem discuti sobre tal, é simples. Para mim, este filme mostra a cabeça de uma pessoa normal do século XX ou XIX. Hoje em dia as pessoas têm o desejo de fazer alguma coisa importante, ou deixar o seu nome de alguma maneira para ser relembrado neste Mundo, para marcar. Temos a necessidade de ter importância na sociedade, ter um nome. E a história deste ator não é diferente. Riggan Thomson queria mais do que apenas ser reconhecido por ter feito um papel de uma personagem imaginada. Queria fazer algo que lhe desse orgulho de apresentar, ter autoria nas sua próprias escolhas e obrigações. É uma história que conta a necessidade desta personagem de apenas ter importância. É uma crítica aos dias de hoje, à maneira como vivemos a vida.
Alejandro González Iñárritu intencionalmente deixou o final do filme em aberto. Para mim, apesar do final terrífico, é como se esse ato de Riggan tivessem sido um exemplo de heroísmo para vida das personagens que o rodeavam, sobretudo para a sua filha Samantha. É como se tivesse despertado um sentido de coragem, como se tivesse m chegado aonde queria e aonde precisava, e eu justifico isso com o olhar de Sam quando olha pela janela ao ver o pai “voar”. Mais do que coragem ou heroísmo, acredito também que esta é uma história de aceitação, onde Riggan acaba por deixar de se assombrar com a presença de “Birdman”, ou pela noção de que o Mundo o conhece por esse papel.
"At the ending of the film [it] can be interpreted as many ways as there are seats in the theater." — Kendrick Ben
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