quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Idealismo nacionalista

Este conceito ocorre quando irrompe nos países colonizados por uma potência imperial, que explora e discrimina os nativos e os encoraja a defender a sua língua, os seus usos e costumes, as suas crenças, impregnando-os de uma “consciência nacional”. Esse tipo de nacionalismo foi decrescendo com a descolonização e transformou-se numa ideologia ultrarreacionária com que várias ditaduras sanguinárias assenhoraram-se do poder, saqueando os seus países e banhando-os em sangue e cadáveres.

Todas as ditaduras que ocorreram, da esquerda à direita, justificaram-se com argumentos nacionalistas e conseguiram grandes apoios populares.
Presentemente, o nacionalismo já só é uma ideologia reacionária, anti-histórica, racista, inimiga do progresso, da democracia e da liberdade.

A Catalunha, onde o vírus nacionalista irrompeu com força, jamais foi uma delas. O nacionalismo é uma ficção ideológica e como tal pode permitir as manipulações históricas que forem necessárias.
Muitos catalães estão convencidos que a Catalunha foi conquistada, ocupada e explorada pela Espanha, tal como a Argélia pela França, a América Latina pela Espanha e Portugal... Acreditam por serem a capital industrial e cultural da Espanha deve-se ao seu espírito de trabalho e à superior capacitação em relação aos outros espanhóis. Com a sua independência alcançariam e logo superavam a própria Alemanha!

O nacionalismo cresceu na Catalunha alimentado desde a escola por sucessivos governos locais. Este foi ignorado pelos governos centrais e restantes espanhóis, por acreditarem que a maioria catalã pretendia continuar espanhóla. No entanto, essa maioria foi decrescendo pelo desamparo e isolamento.

A realização do referendo teve como consequência a perca de mais de 3.000 empresas, a redução do comércio e turismo e o aumento do desemprego. Além disso, assistiu-se a uma violência política que nos remete para uma transição franquista, não credível de existir numa Espanha moderna.

Se acreditamos na liberdade, na democracia e na civilização... não podemos ser nacionalista.
O nacionalismo é o oposto a todas essas instituições e categorias que nos tiraram da selvajaria e incutiram-nos o respeito aos demais, ensinando-nos a conviver e aceitar as diferenças. Fizeram-nos entender que viver na legalidade, na diversidade e na liberdade é melhor que na barbárie e anarquia.
Somos indivíduos com direitos e deveres, não partes de uma tribo, porque fazer parte de uma tribo, ser apenas um apêndice dela, é incompatível com ser livre. Descobrir isso é o melhor que ocorreu à espécie humana.
Devemo-nos opor, sem complexos, com razões e ideais, mas também com convicções e crenças, aos que quiserem regressar a essa tribo feliz que inventamos porque nunca existiu.

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