No album good kid, m.A.A.d city, o
rapper norte americano Kendrick Lamar, vai contado ao longo das
faixas, um género de historia narrativa referindo vários episódios
da sua vida de uma forma não sempre cronológica, mas sempre com uma
ligação e correlação entre faixas, através não só das suas
letras, como de gravações de voicemails que aparecem no final de
quase todas as faixas e por vezes até no meio das mesmas.
Podemos dizer logo desde inicio que é
um álbum bastante emocional e que tudo o que Kendrick fala acerca
neste álbum são nada mais que relatos de coisas pelas quais ele
passou e sentiu uma enorme necessidade de as partilhar como referiu
numa entrevista com a COMPLEX, Lamar refere-se a esta sua L.P. como
um género de curta metragem onde ele fala de como é um dia na sua
vida enquanto ainda vivia em Compton, Los Angeles, e onde vai tendo
momentos de retrospeção, mas falando também em algumas faixas de
um Kendrick mais atual.
Diria que pessoalmente o álbum
tematicamente gira bastante a volta do tema do amor, da luxuria, dos
abusos pessoais pelos quais Kendrick se obriga a passar para se
encaixar, violência, não só a que o rodeia, mas também aquela que
ele vive e acaba por participar no seu dia a dia, e uma reflexão dos
caminhos para onde isso o poderá levar.
O artista ao longo do álbum vai
fazendo um uso de varias vozes suas para transmitir ao ouvinte a
sensação que pretende, para tentar ao máximo passar o humor que
ele na altura sentiu a quem esta a ouvir o álbum para que quem esta
a ouvir, não entenda só o que ele esta a dizer, mas que também o
sinta.
Diria também que há 4 faixas que pessoalmente
destacaria, sendo elas:
-back seat freestyle, the art of peer
pressure, good kid e m.A.Ad. City.
Começando pelas primeiras duas faixas
(back seat freestyle, the art of peer pressure) podemos observar que
há uma exibição dos dois lados de Kendrick, uma sendo o que ele é
quando esta com os amigos, onde é uma pessoa de excessos, capaz de
cometer vários crimes e atos de violência, mas depois somos
confrontados com um lado completamente oposto, onde vemos que por
dentro, psicologicamente, ele esta a sofrer por se estar secretamente
a forçar a ser como é no seu dia a dia de modo a ser aceite, como
se estivesse a sofrer de “peer pressure”...
por outro lado as faixas good kid, e
m.A.A.d. city, dão-nos uma visão de certa maneira mais sobria do
que se esta a passar em redor ao artista, good kid, falando da morte
do seu tio e como isso o marcou, problemas relacionados com gangues,
de discriminação racial, e que por mais que ele quisesse fazer
alguma coisa para evitar ser mais uma vitima, sabia que não podia
fazer nada em relação a isso, e maad city falando mais ou menos
dos mesmos assuntos mas de uma maneira mais retrospetiva com
Kendrick a falar de uma versão mais nova dele mesmo.
Diria também que para mim a historia
que kendrick conta no álbum acaba talvez na antepenúltima faixa
(sing about me/im dying of thirst), pois a penúltima faixa (real)
remete-nos quase de volta ao inicio do álbum, uma vez que acaba com
um episódio onde anterior aos do inicio do álbum, e a ultima faixa
encaixa-se quase como se fosse uma mostra de créditos e quase uma
mensagem de que Compton é a sua cidade, com todas as coisas boas e
más, e que esta no seu coração, mas ao mesmo tempo, funciona quase
como o inicio de uma nova narrativa, um novo capitulo na vida de
Kendrick.

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