terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O valor do trabalho

Karl Marx afirma que “O trabalhador torna-se mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão.” Esta lógica pode ser aplicada atualmente ao desenvolvimento de peças de autor.
O movimento “Arts and Crafts” acreditava numa arte para o povo defendendo que a produção de objetos deveria ser artesanal utilizando as melhores matérias primas e através das melhores técnicas. Este processo de fabrico gerava objetos de alta qualidade que, consequentemente, tinham preços muito altos comparados com os outros produzidos industrialmente em grandes quantidades. Isto pode ser observado atualmente, comparando objetos de autor criados por designers aos objetos do quotidiano, em que os primeiros, devido à relação entre a sua forma e função e à grande qualidade dos materiais acabam por ser produzidos em menores quantidades e com preços mais elevados do que os segundos produzidos industrialmente. Esta cadeia de acontecimentos demonstra que os objetivos do movimento “Arts and Crafts” não passavam de uma utopia.

Esta tentativa de trazer a arte para o povo veio em resposta à primeira exposição universal devida à falta de qualidade nos objetos produzidos industrialmente pelas máquinas que apesar de possuírem um bom valor estético falhavam na qualidade dos materiais e na sua função, dai exaltarem a produção artesanal e o valor do artesão em relação às máquinas. Com a utilização das máquinas, o artesão passava a ser apenas um operário, como diz Karl Marx “com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens”, o movimento “Arts and Crafts” defendia que o artesão durante o processo de criação do objeto deixava um pouco de si dentro no objeto contribuindo para a aura do objeto. Atualmente, nas peças de autor, o artesão é tao importante como a peça, exatamente pela individualidade que o objeto ganha ao ter sido concebido por esse designer, o que contrasta com o método de produção industrial em que quem é valorizado é a marca que o produz e o trabalho de todos os operários que o construíram é desvalorizado, corroborando o pensamento de Marx de que “Quanto mais o homem atribui a Deus, tanto menos guarda para si mesmo.”

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