Karl Marx afirma que “O trabalhador torna-se mais
pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e
extensão.” Esta lógica pode ser aplicada atualmente ao desenvolvimento de peças
de autor.
O movimento “Arts and Crafts” acreditava numa arte
para o povo defendendo que a produção de objetos deveria ser artesanal
utilizando as melhores matérias primas e através das melhores técnicas. Este
processo de fabrico gerava objetos de alta qualidade que, consequentemente,
tinham preços muito altos comparados com os outros produzidos industrialmente
em grandes quantidades. Isto pode ser observado atualmente, comparando objetos
de autor criados por designers aos objetos do quotidiano, em que os primeiros, devido
à relação entre a sua forma e função e à grande qualidade dos materiais acabam
por ser produzidos em menores quantidades e com preços mais elevados do que os
segundos produzidos industrialmente. Esta cadeia de acontecimentos demonstra
que os objetivos do movimento “Arts and Crafts” não passavam de uma utopia.
Esta tentativa de trazer a arte para o povo veio
em resposta à primeira exposição universal devida à falta de qualidade nos
objetos produzidos industrialmente pelas máquinas que apesar de possuírem um
bom valor estético falhavam na qualidade dos materiais e na sua função, dai
exaltarem a produção artesanal e o valor do artesão em relação às máquinas. Com
a utilização das máquinas, o artesão passava a ser apenas um operário, como diz
Karl Marx “com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a
desvalorização do mundo dos homens”, o movimento “Arts and Crafts” defendia que
o artesão durante o processo de criação do objeto deixava um pouco de si dentro
no objeto contribuindo para a aura do objeto. Atualmente, nas peças de autor, o
artesão é tao importante como a peça, exatamente pela individualidade que o
objeto ganha ao ter sido concebido por esse designer, o que contrasta com o método
de produção industrial em que quem é valorizado é a marca que o produz e o
trabalho de todos os operários que o construíram é desvalorizado, corroborando
o pensamento de Marx de que “Quanto mais o homem atribui a Deus, tanto menos
guarda para si mesmo.”
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